terça-feira, 29 de junho de 2010


PANGARÉ (Sergio de Carvalho) * 30/06/2010

Nobre animal trabalhador,
Que não frequenta Haras,
Nunca provou alfafa,
nem remedios de doutor.

Vive puxando carroça
Pesada e com sol a pino no lombo
Segue pelo asfalto quente cheio de carros e fumaça.

Você não deveria estar nesse lugar
Mas sim correndo pelos campos
Comendo a verde relva
Relinchando com a família
Tua casa é na roça
Passeando com teu dono por uma estradinha de terra.

Pangaré resignado
Enquanto carregas teu fardo pelas ruas da cidade,
Ferradura gasta, pingando suor e dor pelo corpo
Rogo a Deus que te proteja
E inspire a quem serves
A tratá-lo com amor, respeito, gratidão
boa comida e repouso merecido !

segunda-feira, 28 de junho de 2010


PET NOS PÉS (Sergio de Carvalho) * 28/06/2010


A criatividade da necessidade
Aproveita recursos que o sistema joga no lixo
Enquanto poucos esbanjam
Muitos nada tem
Benditas sandálias de plástico descartável
Que nos mostram um outro mundo
Pés empoeirados de pobreza e humildade
Que deveriam comover
Até os corações mais endurecidos
Que deveriam nos fazer pensar
E com outro olhar
Abrir nossos armários abarrotados de calçados
Que não precisamos
E tão pouco usamos
Para doar é preciso amar
Compreender que :
O que nos sobra
É o que falta para o próximo!


CUPIDO DOIDÃO ( Sergio de Carvalho ) 28/06/2010
Cupidos psicodélicos,
Que enviam flechadas muito loucas.
Parece que tomam alguma droga !
Procurando atingir o alvo,
Atiram pro lado errado.
Sorte é encontrá-los sóbrios
Mirando certo no centro
Do amor desejado.

quarta-feira, 23 de junho de 2010


A LENDA DA BOLACHA PRETA (Sergio de Carvalho ) * 23/06/2010
Era triste quando o disco predileto arranhava e ficava pulando!
Arranhou não tinha concerto. Mas havia um “truque” de se colocar uma “moedinha” no braço da vitrola para fazer peso e evitar a repetição ou o pulo no trecho arranhado da musica
Se a agulha do toca-discos não fosse de diamante (será que era de diamante mesmo?), não durava muito e também com o desgaste podia até danificar o vinil.
Geralmente alguns modelos de “Pick-Ups” possuíam uma engrenagem automática onde se colocava vários discos empilhados em cima do prato suspensos e presos numa haste metálica central, que ia soltando os discos um a um assim que o anterior terminava de tocar. Essa tecnologia atualmente pode soar como pré-histórica, mas na época era super funcional e moderníssima e permitia musica tocando durante algumas horas.
Maior corta barato era a necessidade de ficar trocando o lado A pelo B e vice-versa toda vez que uma das faces do disco chegava ao final.
A rotação dos toca-discos no Brasil era sempre de 33/7 para compactos e LPs, mas os compactos importados alem da diferença na rotação que era de 45 rpm possuíam também a particularidade do buraco central ser maior e necessitar de um adaptador para ser tocado.
Nas lojas de discos vendiam uma espécie de Kit para o vinil, contendo um frasco com um liquido de limpeza e uma almofadinha para passar nos discos....Obs: nunca soube do que se tratava aquele liquido e nem se resolvia mesmo!
Recomendava-se também em situações mais drásticas de sujeira na superfície do disco, tais como pó entranhado e marcas engorduradas de dedo , colocá-lo embaixo da torneira e com uma esponja de cozinha e sabão neutro esfregá-lo suavemente no sentido da rotação dos sulcos, para depois deixá-lo secar somente na sombra e nunca no sol, que invariavelmente empenava até discos na capa.
O indevido armazenamento dos LPs também causava vários problemas de empenamento e até poderiam quebrar quando eram empileirados um em cima do outro. O correto era colocá-los nas prateleiras lado a lado!
Comprei alguns discos pelo visual da capa...alias quem não fez isso ? Quando o conteúdo sonoro também correspondia à beleza do invólucro, era a glória total, pois som e imagem se completavam para o deleite dos fãs.
Rolava sempre uma curiosidade em ver a cara dos músicos seja nos encartes ou nas capas, pois naqueles tempos raramente tínhamos acesso a imagens dos integrantes das bandas.
A capa com os desenhos e as fotos sempre chamavam atenção, mas a ficha técnica do disco era solenemente ignorada. Para o ouvinte comum o grande lance era apenas “viajar” no som, numa festa, num clube, numa Boate, no quarto, com luz negra e incensos acesos, dançando ou parado, sozinho ou bem acompanhado dos amigos ou da namorada. Bastava colocar o disco pra tocar, aumentar o volume e curtir o som. Não importava qual estúdio o disco foi gravado, nem quantos canais foram usados, engenheiros de som, produtores, marca de instrumentos e nem mesmo as letras e os músicos integrantes da banda (geralmente tais informações interessavam apenas a jornalistas, críticos, músicos e aficionados ).
Dentro da capa, o vinil apresentava outro invólucro de proteção, que poderia ser de papel ou de um plástico bem fininho (que rasgava fácil).
A qualidade do som dos discos importados era muito melhor do que a sua edição nacional. Aqui no Brasil mutilava-se o disco. Excluia-se faixas e até álbuns inteiros nas edições nacionais. Muitos LPs duplos foram lançados simples e muitas capas também foram drasticamente modificadas.
Tudo isso hoje virou história! As ultimas fabricas de vinil agonizam e cada vez mais o uso e aquisição dos tradicionais discos são exclusividade de alguns poucos colecionadores e saudosistas que garimpam em sebos e nas facilidades da Net a sua bolacha preferida.

terça-feira, 22 de junho de 2010

GERASOM INS- PIRADA


GERASOM INS- PIRADA
O toque da musica tocou,
Mentes, almas e corações
Para quem soube ouvir
Entender e a cuca abrir
O som dos pioneiros despertou!

Beatles; Rolling Stones; Janis Joplin; Jimi Hendrix; The Doors; The Who; Led Zeppelin; Joe Cocker; Santana; Allman Brothers; Johnny Winter; Pink Floyd; Yes; Jethro Tull; Ten Years After; Canned Heat; Jefferson Airplane; Grateful Dead; Bob Dylan; Crosby, Stills, Nash & Young; Traffic; Genesis; Camel; Focus; Richie Havens; Paul Butterfield; Creedence Clearwater Revival; Free; Humble Pie; Deep Purple; Trapeze; Status Quo; Alice Cooper; Velvet Underground; Uriah Heep; Black Sabbath; David Bowie; T.Rex; Moot The Hoople; Climax Blues Band; Mahavishnu Orchestra; Tangerine Dream; Wishbone Ash; Soft Machine; Fleetwood Mac; Byrds; Lynyrd Skynyrd; John Sebastian; Arlo Guthrie; Country Joe; J.Geils Band; Slade; Rory Galagher; Robin Trower; Mountain; Steppenwolf; The Band; Jeff Beck; Eric Clapton; Badfinger; King Crimson; Atomic Rooster; Iron Butterfly; James Taylor; Cat Stevens; Rod Stewart; Carole King; America; Eagles; Bread; Stevie Wonder; James Brown; Sly & The Family Stone; Al Green; Jackson Five; Tower Of Power; The Isley Brothers; Ray Charles; Curtis mayfield; The Meters; Chuck Berry;Christie; Mike Oldifield; Chicago; Blind Faith; Emerson, Lake & Palmer; Mutantes; Terço; Som Nosso de Cada Dia; A Bolha; A Barca do Sol; Sá, Rodrix & Guarabira; Secos & Molhados; Modulo Mil; Vimana; Veludo; Bixo da Seda; Som Imaginário; Hermeto Paschoal; Egberto Gismonti; Karma; Moto Perpetuo; Novos Baianos; Clube da Esquina; Beto Guedes; Lô Borges; Milton Nascimento; Gil; Caetano; Gal; Bethania; Elis Regina; Jorge Ben; Macalé; Luiz Melodia; Tim Maia; Cassiano; Tom Zé; Sergio Sampaio; Guilherme Lamounier; Raul Seixas; Serguei; Made In Brazil; Patrulha do Espaço; Terreno Baldio; Lodo;Faia; Paulo Bagunça; Antonio Adolfo; Tom Jobin; João Gilberto; Ivan Lins; Paulinho da Viola; Jackson do Pandeiro; Alceu Valença; Zé Ramalho; Fagner; Quinteto Violado; Luiz Gonzaga; Belchior; Roberto & Erasmo Carlos; Fevers; Painel de Controle; Analfa; Big Boy; Ademir Lemos.....

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DOCE VERDE LAR



DOCE VERDE LAR (Sergio de Carvalho)

Caminho que leva ao sitio
Minha roça e verde lar
Pedacinho de mundo
Natureza feliz e cantante ao redor
Montanhas sol e florestas
Cachoeiras córregos e nascentes
Frutas maduras e bicharada
Vida plena no ar.

O LEME DO BARCO


O LEME DO BARCO (Sergio de Carvalho)

Teria Deus nos criado com dois ouvidos e apenas uma boca, para que pudéssemos ouvir mais do que falar?
A língua é um pequeno órgão do corpo humano, que assim como o leme dum barco, tanto pode nos levar a águas mansas e boas de navegar ou inversamente a correntezas traiçoeiras, tempestades, ondas revoltas e até um drástico naufrágio.

Como é difícil dominar esse inquieto e falador pedacinho de carne dentro da nossa boca.
Que tentação irresistível é essa em querer criticar a tudo e a todos?
Que sabor misterioso é esse que tanto nos seduz em falar mal da vida alheia?

Em dietas alimentares a boca sofre severas vigilâncias quanto ao que nela entra... Mas será que também não deveríamos filtrar e restringir o que dela sai em função de nossa saúde espiritual?
A boca fala do que o coração esta cheio!
O que será que andamos apregoando por ai aos quatro cantos?
Nosso discurso tem sido compatível com nossa consciência?
É bem eloqüente a letra de certa musica quando diz: Se a gente falasse menos talvez compreendesse mais!
A maledicência e as ofensas tem sido um cancro a nos corroer cotidianamente e não percebemos o quanto de verdade existe naquele tradicional ditado popular relacionado aos humanos falantes: O peixe morre pela boca!

Em tempos de culto ao corpo, nas academias de ginástica, deveriam também existir exercícios específicos para nossa língua, para que não só pudéssemos aprimorar a saúde física como também a do nosso interior, treinando-a em não mais fofocar sobre a vida dos outros, não mais fazer do ouvido alheio um Penico para todo tipo de dejetos verbais, não mais incendiar o curso de nossa própria existência e dos irmãos de caminhada com todo tipo de falatório inútil e maledicente.


Talvez a doença mais simples de curar, mas ao mesmo tempo com as recomendações terapêuticas mais difíceis de seguir sejam as alusivas ao nosso aparelho fonador.

* Cultivar a sabedoria do silencio nos momentos adequados.
* Exercitar a salutar e benfazeja pratica do jejum de palavras maléficas.
* Refletir antes de falar!
* Não julgar para não ser julgado!

Pois, da mesma forma que de uma única fonte não brota água potável e água poluída, da fonte oral de onde jorram nossos pensamentos e sentimentos, deveriam também fluir somente aquilo que soma, que constrói, que ajuda, que edifique, que seja útil ao nosso próximo e a nós mesmos!


Quiçá chegue o dia em que deixaremos de usar de maneira tão imprudente esse nosso mais intimo e extraordinário veiculo de comunicação!

E que a discórdia e confusão da Babel gramatical onde a humanidade mergulhou seja finalmente vencida pela linguagem universal do AMOR.